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Obama recua e lança novo projeto para saúde nos EUA

29/03/2010 20:23

Obama recua e lança novo projeto para saúde dos EUA

 

WASHINGTON - WASHINGTON. O presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou na segunda-feira um novo esforço para tentar salvar seu plano de reforma do sistema de saúde - orçado em US$ 950 bilhões em dez anos -, paralisado há mais de um ano no Congresso por discordâncias entre democratas e republicanos, além do forte lobby da indústria de seguro-saúde do país. Obama buscou criar um plano conciliatório ao recuar na proposta de criação de uma empresa pública de seguro saúde como forma de forçar a redução de preços no setor privado e ao dar mais ênfase ao corte de programas públicos de saúde pouco eficientes, como pediam os republicanos.

Mas, avançou em ideias democratas polêmicas, como colocar as empresas de seguro-saúde sob o crivo do governo, que passa a autorizar novos reajustes para os planos (como ocorre no Brasil), determinar deduções nos preços e até revogar aumentos dados pelas empresas, caso eles não se justifiquem. Para muitos, o projeto buscou combinar sugestões e críticas democratas e republicanas, transformando-o assim no ponto de partida para as discussões sobre a reforma na saúde que vão ocorrer no aguardado encontro de lideranças do Congresso e da Casa Branca na próxima quinta-feira.

"Começar do zero não faz sentido"

Apesar de ser encarado por alguns analistas como um recuo e, por outros, como algo conciliador capaz de facilitar o diálogo, o novo projeto não transformou a vida de Obama em algo mais fácil. Os republicanos já se opõem a uma série de medidas propostas pelos democratas, como a cobrança de imposto sobre planos de saúde caríssimos para os ricos (conhecidos como "planos Cadillac"), a universalização obrigatória no fornecimento de medicamentos a idosos, às custas das seguradoras, multas para empresas que não fornecem seguro-saúde a seus funcionários e mesmo a criação de um imposto de 2,9% sobre a renda de indivíduos que ganham mais de US$ 200 mil por ano (ou famílias que ganham US$ 250 mil), cuja arrecadação vai financiar as mudanças.

A proposta de obrigar as empresas a bancar doenças pré-existentes foi mantida. O projeto, que foi divulgado na segunda-feira às 10h na página da Casa Branca na internet, rejeita a proposta dos republicanos de zerar as discussões sobre a reforma, que se arrastam há mais de um ano, e começar do zero a partir da reunião de lideranças marcada para quinta-feira. "O pacote coloca os americanos, suas famílias e os pequenos negócios do país no controle de seus seguros de saúde", diz um trecho da proposta.

- Começar do zero não faz sentido - afirmou Dan Pfeiffer, o diretor de comunicações da Casa Branca. - Mas o governo vai para este encontro de cúpula aberto a sugestões e esperamos que os republicanos façam o mesmo.

A julgar pelas reações da oposição nos EUA, o encontro de cúpula será problemático. Nem mesmo a inclusão de propostas republicanas de ampliação nos controles dos gastos e fiscalização dos programas estatais Medicare e Medicaid (para famílias pobres) parecem ter convencido os republicanos a negociar.

- Está claro que este projeto, como os projetos dos democratas que passaram na Câmara e no Senado, é mais uma tentativa de controle governamental da indústria de seguro-saúde que vai aumentar os custos do seguro-saúde, explodir o déficit e reduzir os benefícios do Medicare (seguro-saúde estatal para idosos) - afirmou o deputado republicano Dave Camp, a mais alta autoridade do partido no Comitê de Apropriações da Câmara e um dos convidados para a reunião de cúpula de Obama.

Republicano minimiza importância do encontro

Os EUA são a única nação desenvolvida que não possui um sistema de saúde universal. A maioria da população possui seguro-saúde privado, mas mais de 30 milhões não possuem seguro algum.

O encontro de lideranças marcado para quinta-feira na Casa Branca vai ser transmitido ao vivo pela TV estatal C-SPAN e provavelmente por algumas redes a cabo, estratégia considerada arriscada por muitos especialistas. O líder dos republicanos na Câmara, deputado John Boehner, que já taxou a nova proposta de "financiadora de abortos", já rebaixou a importância do encontro.

- A proposta transforma o encontro numa espécie de canal de vendas para uma estratégia partidária que depende de acordo de bastidores e truques parlamentares para enganar a vontade do povo americano e empurra uma estratégia de controle do governo do sistema de saúde - disse ele.

 

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/